sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tributo a Engenheiros do Hawaii no Programa Original de Fábrica







Foi em Porto Alegre, perto do natal e sob o calor escaldante de dezembro de 1984. Eram quatro estudantes da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Resolveram eles, formar uma banda apenas para UMA apresentação.
Um festival da faculdade que aconteceria por protesto à paralisação das aulas.Escolheram o nome da banda para satirizar seus colegas de UFRGS, os caras  da engenharia andavam com bermudas de surfista e tinham rixas permanentes com a faculdade de Arquittura.
Seu primeiro show, o inesquecível dia 11 de janeiro de 1985. No calor do verão gaúcho, em meio à rixas e fórmulas de matemática.

Humbreto Gessinger, Carlos Stein, Marcelo Pitz e Carlos Maltz


              Nascia os ENGENHEIROS DO HAWAII !!

Começaram então a surgir propostas para novos shows e após algumas apresentações em palcos alternativos de Porto Alegre juntamente com uma série de shows pelo interior do Rio Grande do Sul. A banda em menos de quatro meses de carreira já consegue gravar duas músicas na coletânea Rock Grande do Sul ainda em 1985 com diversas bandas gaúchas em razão de uma das bandas vencedoras do concurso adicionador à coletânea, ter desistido da participação do álbum na última hora.

Quando a banda seguiu com seus ensaios durante a greve da faculdade, Carlos Stein realizou uma viagem, o que acabou inviabilizando sua permanência no grupo, tempos depois ele passa a integrar a banda Nenhum de Nós.   Meses passaram, e os Engenheiros do Hawaii gravam o seu primeiro álbum: Longe Demais das Capitas, em 1986. O norte musical do disco apontava para um som voltado à música pop, muito próximo segundo eles a sonoridade de bandas como o The Police e os Paralamas do Sucesso. No disco destacam-se as canções "Toda Forma de Poder", que foi tema da novela Hipertensão da Rede Globo e " Eu Ligo Pra Você ", além de Longe Demais das Capitais ".




Antes de começarem as gravações do segundo disco, Marcelo Pitz deixa a banda por motivos pessoais. Com Gessinger assumindo o baixo, entra o guitarrista Augusto Licks, que havia trabalhado com Nei Lisboa.
Os Engenheiros lançam o disco A Revolta dos Dândis em 1987. A banda muda o direcionamento temático, iniciando uma trilogia baseada no rock progressivo. Disco com repetições de temas gráficos e musicais e letras em que ocorre a auto-citação. Os arranjos musicais são influenciados pelo rock dos anos 60, as letras são críticas, com ocorrência de vários paradoxos e aparecem citações literárias de filósofos, como Sartre. Destaco os hits "Infinita Highway", "Terra de Gigantes", "Refrão de Bolero" e a faixa título, dividida em duas partes. 
Começam os shows para grandes platéias nos centros urbanos do país como o festival Alternativa Nativa, realizado no Maracanãzinho entre 14 e 17 de junho de 1988. Garotos ainda inexperientes mas nem o tropeço literal de Humberto no palco, na primeira musica, e que resultou na quebra de seu baixo, fez com que o trio perdesse o rebolado diante de mais de 20 mil pessoas que lotavam o estádio. A partir desta data, os Engenheiros encheriam ginásios e estádios pelo Brasil afora. Porém, houve polêmicas e a banda chegou a ser acusada de elitista e fascista pelo conteúdo de suas letras. As polêmicas se intensificaram quando membros da banda se apresentaram com camisetas estampadas com a Estrela de Davi e a Suástica.

O disco seguinte, Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém de 1988, pode ser visto como uma continuidade do anterior, tanto pelo trabalho da capa do álbum como pelo tema e estilo de suas canções. Destacaram-se as músicas "Somos Quem Podemos Ser", "Tribos & Tribunais", e a faixa-título do disco. O álbum também marca a saída dos Engenheiros da cidade de Porto Alegre indo morar no Rio de Janeiro.

Consolidada a nova formação, os Engenheiros lançam Alívio Imediato, em 1989, quarto disco da banda e o primeiro registro ao vivo. Suas canções mostram uma retrospectiva de suas principais canções e as novas perspectivas a serem incorporadas, em especial o som mais eletrônico, presente na faixa título e na música "Nau à Deriva", ambas gravadas em estúdio e as demais gravadas ao vivo no Canecão, no Rio de Janeiro.


 

Mudança para o Rio de Janeiro

O disco seguinte, O Papa é Pop, de 1990 consolida a mudança de sonoridade da banda. Puxados pelo sucesso "Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones", regravação de uma velha canção do grupo Os Incríveis  que por sua vez  havia  feito uma versão de Gianni Morandi) e a faixa-título. O quinto disco dos Engenheiros investe no som progressivo, calçado nos solos de guitarra de Licks e em uma base mais eletrônica de teclados e bateria. Gessinger passa a assumir também os teclados da banda e começam a surgir as baladas de piano e voz da banda. São dele as canções "Anoiteceu em Porto Alegre", "O Exército de um Homem Só" , "Pra Ser Sincero" e "Perfeita Simetria" (versão alternativa da canção "O Papa é Pop"). Em meio aos novos sucessos, uma antiga canção, "Refrão de Bolero", oriunda do segundo disco, A Revolta dos Dândis, também era bastante executada pelas rádios. Aclamados pelo público e massacrados pela crítica, os Engenheiros do Hawaii consagram-se no Rock in Rio II, arrancando elogios do jornal americano New York Times, e mais uma vez ignorados pela Folha de São Paulo.


O ano de 1991 marca o lançamento do sexto disco, Várias Variáveis, que completa a trilogia iniciada no segundo e terceiro discos da banda. Existe redução dos efeitos eletrônicos e a retomada de um som mais rock 'n' roll, não se repete o mesmo sucesso do disco anterior mesmo tendo a canção "Herdeiro da Pampa Pobre", regravação de um antigo sucesso de Gaúcho da Fronteira, bastante executada nas rádios. Este é um dos discos que contém as melhores letras do grupo, porém, o som não é o forte do álbum, sendo o mesmo questionado hoje até pelo próprio Gessinger. Pode-se dizer que foi um disco seminal, pois canções como "Piano Bar", "Muros & Grades" e "Ando Só", em regravações em outros discos estabeleceram-se como algumas das melhores da banda.

No ano seguinte, 1992 é lançado o sétimo disco, Gessinguer, Licks & Maltz, ou GLM, inspirado no famoso logotipo ELP de Emerson, Lake & Palmer. O som continua mesclando elementos de MPB e rock progressivo com destaque para as canções "Ninguém = Ninguém", "A Conquista do Espaço", "Pose" e "Parabólica", canção que Gessinger fez em homenagem a sua filha Clara, nascida em fevereiro desse mesmo ano.




O oitavo disco dos Engenheiros é o semi-acústico Filmes de Guerra, Canções de Amor, de 1993, gravado ao vivo na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. A banda considerava este disco como acústico pois condicionava tal formato à ausência de bateria e às guitarras semi-acústicas. Na época não existia a febre de acústicos gravados pelos grandes nomes nacionais o que denota o caráter visionário dos Engenheiros. O disco foi gravado ao vivo por uma decisão da banda de gravar um álbum ao vivo a cada três álbuns, uma idéia do Rush que sempre fez o mesmo. Com guitarras acústicas, percussão, piano, acordeom e participação da Orquestra Sinfônica Brasileira em três faixas regida por Wagner Tiso, as velhas canções – como "Muros & Grades", "O Exército de um Homem Só" e "Crônica" – e novas composições – como "Mapas do Acaso" e "Quanto Vale a Vida?", ganharam arranjos que apontavam para o blues, a música tradicionalista e a erudita o que ressaltou  a excelente qualidade das letras dos Engenheiros. A banda chegou a participar, ainda no mesmo ano, do festival Hollywood Rock Brasil, junto com os brasileiros do Biquini Cavadão, De Falla, Dr. Sin e Midnight Blues Band. Entretanto não foram bem recepcionados e receberam muitas vaias o que é compreensível.  Eles se apresentaram no mesmo dia de L7 e Nirvana.

O ano de 1993 marca também a primeira excursão dos Engenheiros pelo Japão e Estados Unidos. Porém, no final deste mesmo ano, discussões e rixas internas acabaram por resultar na saída do guitarrista Augusto Licks. Inicia-se então uma longa disputa jurídica pela marca "Engenheiros do Hawaii", tendo Gessinger e Maltz finalmente ficado com o nome da banda.

 

Tempos de tempestade 

 

O passo seguinte foi remontar os Engenheiros, com a entrada do guitarrista Ricardo Horn  posteriormente, também ingressam na banda: Paolo Casarin (acordeão e teclados) e o guitarrista Fernando Deluqui (ex-RPM). Após dois anos sem gravar, os Engenheiros lançam em 1995 o álbum Simples de Coração. O som é mais pesado, com climas regionais gaúchos dados pelo acordeom de Casarin. Destaco as as canções "A Promessa", e  inda a canção "O Castelo dos Destinos Cruzados", em que o baterista Maltz assume os vocais. O disco Simples de Coração também teve uma versão em inglês, que não chegou às vendas.
Paralelamente às gravações do Simples de Coração, Gessinger monta o trio " 33 de Espadas " para tocar música instrumental. Ao fim da turnê de Simples de Coração, a banda passou por outra grave crise, a formação "quinteto" foi temporária. Longe do sucesso de outros tempos, os Engenheiros começam a pensar em seguir outros caminhos. O " 33 de espadas " faz sua estréia já com a formação que viria se chamar "Humberto Gessinger Trio", tendo Luciano Granja na guitarra e Adal Fonseca na bateria. O grupo lançou um disco, também intitulado HG3 em 1996. O clima enxuto do disco, basicamente com bateria, baixo e guitarra, lembra os primeiros trabalhos de Gessinger, como exemplificam as canções "Vida Real" e " Freud Flintstone " Paralelo a esse fato, Carlos Maltz envolve-se numa trilha mística e resolveu abandonar os Engenheiros. A partir daí, o baterista monta o grupo "A Irmandade". Durante a turnê do HG3, há uma constante troca de nome das bandas. Os shows que deveriam ser anunciados como HG3 ainda eram apresentados como Engenheiros do Hawaii. A verdade é que para um produtor anunciar um show dos Engenheiros do Hawaii, banda nacionalmente conhecida, era muito mais fácil e rentável que apresentar como Humberto Gessinger Trio, nome absolutamente desconhecido.




Reconhecendo que era inviável seguir com o nome da nova banda, Gessinger volta a admitir-se como um Engenheiro do Hawaii. Para que haja alguma diferença entre o HG3 e o "novo" Engenheiros do Hawaii, ele convida Lúcio Dorfmann a assumir os teclados do grupo configurando um novo som à banda, bem próximo ao pop que predominava no mercado musical da época. O disco Minuano de 1997, marca a volta dos Engenheiros do Hawaii com este nome. O álbum mescla influências regionalistas e conta com arranjos de violino que lembram o folk, Este disco torna-se mais leve e com a sonoridade mais vaga da banda. Emplaca o sucesso "Alucinação", um cover para uma antiga canção de Belchior, esta música não foi remaserizada propositalmente. O disco ainda marcou a saída dos Engenheiros do Hawaii da BMG. A saída se deu com o lançamento de um box em formato de lata, intitulado Infinita Highway, contendo o relançamento de todos os dez discos da banda até então. Todos foram remasterizados, com exceção dos dois últimos Simples de Coração e Minuano.

¡Tchau Radar!, de 1999, marca a entrada dos Engenheiros para a Universal Music e exibe uma maior maturidade do grupo onde as influências musicais da banda ficam mais evidentes (folk rock, rock'n roll dos anos 60, rock progressivo e MPB)  Com boas composições de Humberto como. "Eu Que Não Amo Você", além de duas covers: "Negro Amor" ("It's All Over Naw Baby Blue", de Bob Dylan) e "Cruzada" (de Tavinho Moura e Marcio Borges), esta contando com arranjos de orquestra, como é comum em várias faixas do álbum.

Nova fase 

 

Da turnê de ¡Tchau Radar!, surgiu o terceiro disco ao vivo da banda, e o décimo segundo de sua carreira: 10.000 Destinos. Novamente, Gessinger repassa o repertório consagrado da banda em novas versões divididas em um set acústico e um elétrico e conta com a participação de Paulo Ricardo, cantando "Rádio Pirata" do RPM, e do meu amigo Renato Borghetii nas canções "Refrão de um Bolero" e "Toda Forma de Poder". Com faixas-bônus, gravadas em estúdio, acompanham as inéditas "Números" e "Novos Horizontes", além da regravação de "Quando o Carnaval Chegar", de Chico Buarque.


Alguns meses após a apresentação no Rock in Rio III em 2001 Lúcio, Adal e Luciano saem da banda e montam outro grupo, Massa Crítica, mudando novamente a formação dos Engenheiros. Lúcio, Adal e Luciano são substituídos por Paulinho Galvão (guitarra), Bernardo Fonseca (baixo) e Gláucio Ayala (bateria). Gessinger volta a tocar guitarra após 14 anos responsável pelo contrabaixo dos Engenheiros. Com essa nova formação eles regravam algumas músicas da banda e lançam uma re-edição de seu último disco, agora intitulado 10.001 Destinos. Duplo, o disco traz as mesmas faixas do disco precursor, e novas versões de estúdio de canções como  "Novos Horizontes" e  Nunca Se Sabe.
Com essa formação, seguiam novamente o mercado musical de som mais limpo e pesado. Isso se confirma em 2002, com o lançamento do disco Surfando Karmas & DNA, disco que consolida a nova fase da banda e que tem a participação especial do ex-Engenheiro Carlos Maltz na faixa "E-stória". São destaques do disco a faixa título e a canções "Terceira do Plural", Há influência do punk rock e pop rock nas novas canções.




O disco seguinte, Dançando no Campo Minado, de 2003 mantém a regra: sonoridade muito similar ao seu antecessor com músicas curtas, guitarras pesadas e poesia crítica de Gessinger denunciando os males da globalização, da desilusão política e ideológica e da guerra na musica que dá nome ao disco. "Dançando no Campo Minado", porém, mostra um certo otimismo na parte mais emotiva da vida. Emplaca nas rádios a canção Até o fim.

Acústico MTV e Acústico II: Novos Horizontes (Turnês Acústicas) (2004 – 2008)

 

Para comemorar os vinte anos de banda, completados em 2005, os Engenheiros do Hawaii lançaram o CD e DVD Acústico MTV. O acústico tem as participações especiais dos músicos Humberto Barros e Fernando Aranha. Este último já havia feito uma participação especial no disco anterior. O álbum se diferencia dos demais por não trazer participações especiais, apenas "fraternais": Clara Gessinger, filha de Humberto, divide os vocais com o pai na canção Pose (executada com parte da letra cortada) e Carlos Maltz, co-fundador e ex-baterista dos Engenheiros, que canta junto com Gessinger a canção Depois de Nós, de sua autoria.
Além dos grandes sucessos, como Infinita Highway, Somos Quem Podemos Ser e O Papa é Pop e das canções recentes, como Surfando Karmas & DNA e Até o Fim, o disco traz as canções O Preço e Vida Real, ambas do álbum HG3. Por fim, acrescentam-se ainda as canções inéditas "Armas Químicas e Poemas" e "Outras Frequências". Durante a turnê do Acústico, Paulinho Galvão deixa a banda e seu posto é assumido por Fernando Aranha. Nos teclados por sua vez, o jovem Pedro Augusto assume o lugar.

O novo disco, Acústico II: Novos Horizontes, foi gravado nos dias 30 e 31 de maio de 2007 em São Paulo no Citibank Hall e foi lançado em agosto desse mesmo ano. Com nove faixas inéditas e nove regravações. O disco quebrou a seqüência de a cada 3 discos em estúdio, ser gravado um "ao vivo". Também foi palco de novas experiências para Gessinger como a viola caipira que usa em algumas músicas do álbum. Segundo ele, se tivesse que rever todas as obras dos Engenheiros do Hawaii, 'Novos Horizontes' é o que não mexeria em nada. Dou maior destaque para a faixaa inédita "Guantánamo.  No fim de 2007, o então baixista Bernardo Fonseca sai da banda e Humberto assume o baixo. Desde então a banda voltou a utilizar guitarras em seus shows.
No ano de 2008, após shows pelo Brasil inteiro, a banda termina a turnê acústica que começou em 23 de julho de 2004 com o lançamento do Acústico MTV.



 

Atividades interrompidas

 

Junto com a turnê, os Engenheiros terminam pelo menos temporariamente suas atividades. O vocalista e líder da banda, Humberto Gessinger declarou no site oficial da banda que os planos de retorno seriam somente agora em 2012,  ano que também se comemora os 25 anos do lançamento do álbum A Revolta dos Dândis, segundo LP dos Engenheiros. Vale lembrar que já é a terceira vez que Gessinger adia o retorno da banda.
Nos últimos quatro anos, Gessinger vem se dedicando ao Pouca Vogal, parceria com Duca Leindecker, vocalista do Cidadão Quem. Juntos eles cantam novas baladas e grandes sucessos de suas bandas. Também lançou 5 livros.



  • Meu Pequeno Gremista, 2008
  • Pra Ser Sincero - 123 Variações Sobre Um Mesmo Tema, 2009
  • Mapas do Acaso - 45 Variações Sobre Um Mesmo Tema, 2011
  • Agenda 2012 - 366 Variações Sobre Um Mesmo Tema, Agenda, 2011
  • Nas Entrelinhas do Horizonte, 2012
 Luciano Almeida - Programa Original de Fárica - 11/05/2012

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