sexta-feira, 25 de maio de 2012

Tributo aos Paralamas do Sucesso no Programa Original de Fábrica dia 25 de maio de 2012.





Eram idos de 1983. A cena do novo rock brasileiro começava a florescer puxada pelo humor escrachado da Blitz e da Gang 90. Uma geração nascida já na ditadura militar começava a compor suas músicas e a transformar em arte o desejo de um novo país.
Se tocar na abertura do show de Lulu Santos no Circo Voador era o maior sonho de um trio de jovens músicos que ensaiavam no apartamento da avó do baixista, gravar um LP por uma das maiores empresas de música do mundo, seria o quê então?


Foi com essa empolgação que Os Paralamas do Sucesso entraram pela primeira vez em um estúdio. Impulsionados por uma série de shows para os amigos (e amigos-dos-amigos) nos pequenos palcos que se multiplicavam pelo Rio de Janeiro e pelo sucesso do demo de “Vital e Sua Moto” na Rádio Fluminense, eles encaravam sem muita responsabilidade a desconfiança que a linha-nobre da MPB tinha sobre eles.

Era uma geração que desprezava metáforas, tocava com guitarras na frente e pouco se importava em respeitar a suposta “tradição” da música brasileira.  Era esse o lema de quem só estava tirando chifra.  Era hora de mudar as coisas.

O tesão adolescente transbordava nas letras e nas bases das músicas. O riff de “Vital e Sua Moto” se espalhou Brasil a fora e convencidos de que a sobrevivência do rock no país dependia do sucesso de outros grupos, eles aproveitaram a chance que tiveram para jogar luzes sobre o máximo de bandas possíveis, seja fazendo covers nos shows ou citando elas em suas entrevistas. E eles estavam certos. A gravação de “Química”, por exemplo, serviu de estopim para que a EMI contratasse também o grupo de Renato Russo. Depois disso Brasília nunca mais foi a mesma. Depois disso, o rock brasileiro não foi mais o mesmo. Depois disso, é história.


Apesar dos Paralamas serem considerados parte da Turma de Brasília por terem vivido e criado amizade com as bandas locais, é uma banda formada no Rio. Herbert e Bi se conheceram ainda crianças em Brasília por serem vizinhos (o pai de Herbert era militar, e o de Bi, diplomata). Em 1977, Herbert foi para o Rio fazer o colégio militar, e reencontrou Bi, que foi fazer o 3º ano. Os dois resolveram formar uma banda, Herbert com sua guitarra Gibson e Bi com seu baixo comprado em uma viagem à Inglaterra. Aos dois depois se juntaria o baterista Vital. O grupo se separou em 1979 para fazerem o vestibular e em 1981 se reuniram novamente.



O grupo ensaiava em um sítio em Mendes, interior fluminense, e na casa da avó de Bi, em Copacabana na Zona Sul do Rio de Janeiro
O repertório não era sério, com canções como "Pingüins, já não os vejo pois não está na estação" e "Mandingas de Amor"  tentaram criar um nome no mesmo estilo, a primeira sugestão foi "As Cadeirinhas da Vovó". O nome "Paralamas do Sucesso" foi invenção de Bi Ribeiro, e adotado porque todos simplesmente acharam engraçado.  Inicialmente o grupo tinha dois cantores (Herbert só tocava), Ronel e Naldo, que saíram em 1982.
Ainda em 1982, Vital faltou a uma apresentação na Universidade Rural do Rio e foi substituído por João Barone, que assumiu de vez o lugar na banda. Escreveram tendo como "protagonista" seu ex-baterista, "Vital e sua Moto", e mandaram uma fita com essa e mais 3 músicas para Rádio Fluminense. "Vital" foi muito tocada durante o verão de 83, e os Paralamas tiveram a primeira grande apresentação ao abrir para Lulu Santos no Circo Voador. Também assinariam contrato com a EMI, gravando o álbum Cinema Mudo definido por Herbert como manipulado pelo pessoal da gravadora tendo ssim um sucesso moderado.


 Subida para a fama (1984-1990)

Em 1984 lançaram o álbum O Passo do Lui que teve uma enorme sequência de sucessos como Óculos, Me Liga, Meu Erro, Romance Ideal e Ska e aclamação crítica levando o grupo a tocar no Rock in Rio no qual o show dos Paralamas foi considerado um dos melhores.

Depois de grande turnê com o sucesso do segundo disco, lançaram em 1986 Selavagem?. Bem mais politizado, o álbum contrapunha a "manipulação" desde sua capa (com o irmão de Bi no meio do mato apenas com uma camiseta em torno da cintura), e misturava novas influências, principalmente da MPB. Com sucessos como Alagados e A Novidade (a primeira com participação de Gilberto Gil, e a segunda co-escrita com ele), e ainda Melô do Marinheiro e Você (de Tim Maia), Selvagem? vendeu 700.000 cópias e credenciou os Paralamas a tocar no cultuado Festival de Montreoux, em 1987.


Do show no festival da cidade suíça viraria o primeiro disco ao vivo da banda, D. Nele, a novidade em meio ao show com os sucessos já conhecidos, era a inclusão de um "4º paralama", o tecladista João Fera, que excursiona com a banda até hoje, como músico de apoio.
Os Paralamas também fizeram turnê pela América do Sul, ganhando popularidade na Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela.
O sucessor de Selvagem? Bora-Bora de 1988 acrescentou metais ao som da banda. O álbum mesclava faixas de cunho político-social como O Beco com faixas introspectivas como Quase Um Segundo e Uns Dias, reflexo talvez do fim do relacionamento com a vocalista da banda Kid Abelha, Paula Toller.  Bora-Bora foi tão aclamado pela crítica quanto O Passo do Lui.



Big Bang de 1989 seguia o mesmo estilo, tendo como hits a alegre "Perplexo" e a lírica "Lanterna dos Afogados". Seguiu-se a coletânea Arquivo em 1990, com uma regravação de "Vital" e a inédita "Caleidoscópio" (antes gravada por Dulce Quental, do grupo Sempre Livre).



Sucesso, só na Argentina (1991-1994)

O começo da década de 1990 foi dedicado às experimentações. Os Grãos disco de 1991, deu maior enfoque nos teclados e menor apelo popular, não foi bem nas paradas apesar de ter tido 2 sucessos, Trac-Trac - versão do argentino Fito Páez  e Tendo a Lua e nem vendeu muito. Algo que também pode ser atribuído à grave crise econômica pela qual o Brasil passava. Após uma pequena pausa (na qual Herbert lançou seu primeiro disco solo), o trio retorna aos shows, que continuavam cheios embora a banda passasse por fortes críticas da imprensa. No fim de 1993, a banda viaja para a Inglaterra, onde sob a produção de Phil Manzanera, gravam Severino.



 O álbum, lançado em 1994, teve participação do guitarrista Bryian May da banda inglesa Queen na música "El Vampiro Bajo El Sol". Este disco era ainda mais experimental, com arranjos muito elaborados, e foi ignorado pelas rádios e grande público, vendendo apenas 55 mil cópias.
Mas se no Brasil os Paralamas estavam esquecidos, no resto da América eles eram ídolos. Paralamas (1992), coletânea de versões em espanhol e Dos Margaritas (a versão hispânica de Severino) estouraram principalmente na Argentina.

 

Volta às paradas (1995-2000)

A despeito das fracas vendagens do CD, a turnê de Severino estava sendo muito bem sucedida com o público recebendo sempre bem os Paralamas. Uma série de três shows gravada no fim de 1994 viraria em 1995 o disco ao vivo Vamo Batê Lata.
Era acompanhado de um CD com 4 músicas inéditas e o sucesso de "Uma Brasileira" que foi uma parceria de Herbert com Carlinhos Brown e participação de Djavan.
 Saber Amar e a controvertida Luís Inácio (300 Picaretas) que criticava a política brasileira e os anões do orçamento.  Esta atraiu a atenção de público e imprensa de volta aos Paralamas. A volta às canções de fácil compreensão e ao formato pop colaborou definitivamente para o retorno ao sucesso de crítica e público, resultando na maior vendagem da carreira da banda (900 mil cópias).
Também começou aí a fase dos videoclipes super produzidos, que levariam 11 VMB de 1995 a 1999, começando por Uma Brasileira, vencedor nas categorias Clipe Pop e Escolha da Audiência.

Nove Luas, de 1996 e Hey Na Na, de 1998 continuaram o caminho de êxito com faixas como Lourinha Bombril, La Bella Luna e Ela Disse Adeus (Nove Luas vendeu 250.000 cópias em um mês, enquanto Hey Na Na vendeu o mesmo em apenas uma semana).


Em 1999 a MTV Brasil chamou os Paralamas para gravar um Acústico MTV. O álbum, com canções menos conhecidas e as participações de Dado Villa-Lobos ex-Legião Urbana, e da Banda Vitória Régia (que sempre acompanhou Tim Maia em seus shows), vendeu 500.000 cópias, ganhou o Grammy Latino e teve turnê de shows lotados.

Em 2000, lançaram uma segunda coletânea, Arquivo 2, com músicas de todos os álbuns entre 1991 e 1998 (exceto Severino), uma regravação de "Mensagem de Amor" e a inédita "Aonde Quer Que Eu Vá", parceria de Herbert com Paulo Sérgio Valle (a dupla também escrevera sucessos para Ivete Sangalo).
Em 4 de feveriro de 2001, um ultraleve pilotado por Herbert Vianna teve um acidente em Mangaratiba. A mulher de Herbert, Lucy, estava a bordo e morreu. Herbert fora resgatado e levado para a capital. As sequelas foram duras (Herbert acabo preso a uma cadeira de rodas), mas assim que Herbert mostrou que podia tocar, Bi e João resolveram voltar aos ensaios e gravar um disco cujas canções já estavam preparadas antes do acidente.

Longo Camnho foi lançado em 2002. O som voltava ao principio, sem metais, em busca de um som mais cru. Uma apresentação no programa Fantástico da Globo, serviu como a reestreia da banda, pós-acidente. A volta às turnês teve muito êxito, com shows lotados até pela curiosidade do público em saber das reais condições de Herbert e da ansiedade em ver a banda reunida novamente. Tudo isso aliado aos novos sucessos radiofônicos O Calibre, Seguindo Estrelas, e Cuide Bem do Seu Amor - esta última incluída na trilha sonora da novela Sabor da Paixão, impulsionou as vendas de Longo Caminho, que chegaram a 300 mil cópias.


 
Aproveitando o caráter fortemente emocional e emocionado dos shows da turnê, a banda grava Uns Dias Ao Vivo, cd duplo em 2004, cheio de participações especiais como  Dado Villa-Lobos, Andréas Kisser, Edgard Scandurra, Djavan, Nando Reis, Paulo Miklos e Roberto Frejat. O disco mostrou uma banda pesada como quase nunca havia se visto. Velhos sucessos, como "Meu Erro", ganhavam versões turbinadas. As novas músicas soavam ainda mais cruas. Além de tudo, a banda decidira fazer a primeira parte da apresentação num pequeno palco armado no meio da pista. A proximidade com o público colaborou para que o resultado final ficasse caloroso e captasse fielmente a emoção dos shows.

Em 2005, os Paralamas lançam Hoje, o primeiro com músicas totalmente inéditas. A recepção foi boa e músicas como 2A, Na Pista e De Perto fizeram sucesso embora não tenham sido grandes hits. Mesmo com o disco voltando a trazer um som mais solar, com a volta do uso de metais não esquecia a parte pesada que havia sido abordada em Longo Caminho, em canções como 220 Desencapado, Ponto de Vista - que contou com o auxílio de Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura - e Fora de Lugar. Ainda havia uma regravação de Deus lhe Pague, de Chico Buarque, escolhida numa votação no site oficial da banda.



Em 2008, os Paralamas completam 25 anos de carreira, comemorados com uma série de shows junto com os Titãs, também há 25 anos na estrada. A série de shows culminou em um espetáculo realizado na Marina da Glória, Rio de Janeiro, lançado em CD e DVD e intitulado Paralamas e Titãs: Juntos e Ao Vivo.


Em 2009, os Paralamas lançam seu mais recente disco, Brasil Afora, que ficou primeiramente disponível para download (com uma música à mais) e pouco depois foi lançado em CD. O disco conta com as participações de Carlinho Brown e Zé Ramalho, fora uma versão de uma música de Fito Paez.
Em dezembro de 2010, os Paralamas gravaram no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro o CD e DVD Multishow Ao Vivo Brasil Afora que contou com as participações de Pitty no classico " Tendo a Lua " de Zé Ramalho no hit " Mormaço " . O lançamento do DVD ocorreu em Abril de 2011 em um especial do canal Multishow.

Luciano Almeida

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